segunda-feira, 19 de julho de 2010

O estranho, conhecido

Em uma madrugada gelada, um navio pairava sobre a água que refletia a prateada luz da

lua. Enquanto o navio se afastava do porto, o capitão Nemo despedia-se do farol, do ar e da segurança de estar em terra firme.

Marinheiro de grande experiência, Nemo andava pelo convés observando o trabalho de sua tripulação. Com olhar severo assustava sua tripulação. Com sua grande sabedoria observava a cada um, prestava atenção ate na forma de falar de cada um, com poucas palavras conhecia a todos.

Após todos estarem dormindo o capitão vagava no grande navio que estava sobre seu comando, seu olhos sombrios e cansados encarava o mar, como se esperasse algo.

Mesmo assim foi se deitar.

Naquela noite calma, com marolas que não afetaria o sono de ninguém. Um estrondo tenebroso acordou os tripulantes do navio, assustados toda tripulação correu para o convés. Olhavam para um lado nada, para o outro nada, após um tempo o capitão de poucas palavras apareceu, da mesma forma que encarou o mar antes, fazia novamente. Um de seus homens chegou até ele e disse:

– Não vimos nada senhor.

O Sr. Nemo olhou para o homem:

– Tem certeza homem.

Após o capitão fechar sua boca outro da tripulação gritou ao fundo:

– Homem ao mar! Homem ao mar!

O silencio da noite se fora ao soar o alarme.

Na superfície do mar boiava um corpo, um rapaz que aparentava ter 27 anos, um terno preto cobria seu corpo. Mas quando o tiraram do mar, um olhar de medo e curiosidade estava sobre a tripulação que observava o desfalecido com uma maleta algemada em sua mão.

O sombrio olhar do capitão não mudava perante a situação. Aproximando disse:

– Cuidado com esse homem.

Assim abaixou a cabeça, pensou; olhou ao longe; e foi direto para sua sala.

No dia seguinte, assustado o homem com uma maleta presa em seu braço acordou. Sentou-se no leito onde estava, seus olhos procurava algo conhecido. Na quele silencio, uma grossa voz perguntou:

– como é o seu nome. Estranho.

O misterioso e desconhecido olhou a porta e respondeu:

– Não sei. Mas e o seu?

– Capitão. Você não precisa saber mais nada elem disso. Se tentar algo, terei de matá-lo. Completou Nemo.

O naufragado olhou em seu braço, observou a maleta e uma lembrança veio a sua cabeça. Via-se em uma sala escura, e de fundo uma voz que dava-lhe alguma instrução sobre o que fazer com a maleta.

Após isso deixou o aposento onde estava e subiu para o convés. A tripulação olhava ele com desprezo e curiosidade.

Em um canto o homem que não sabia nada dele mesmo parou e tentou abrir a maleta, mas não conseguiu pelo fato da fechadura exigir um código, o qual não lembrava. Buscava respostas em tudo a sua frente, mas de nada adiantava.

No outro dia, na sala de comando, de repente houve interferência no radio, e no radar aparecia um objeto que se aproximava em grande velocidade. Poucos segundos depois um caça da força aérea alemã rasgou o seus acima de suas cabeças. No mesmo instante o estranho teve outra lembrança. Estava ele agora em um DC-3 alemão em quanto um soldado conversava com ele. Depois disso viu o capitão se aproximando, com sua cara fechada, olhando profundamente para ele, perguntou se ele lembrava de algo. Por algum motivo ele confiava em Nemo, e tudo que sabia contou a ele. Ao capitão, logo veio a hipótese de ele ser um espião que trabalhava parra o exercito alemão.

Três dias depois, em quantos todos almoçavam, ouvia-se um barulho de hélice que aumentava gradativamente, nesse instante o capitão que estava a mesa com os outros, secou os olhos do suposto espião. E o barulho continuava. Um estrondoso barulho de explosão estouro em seu ouvidos, assim todos menos o Sr. Nemo e o estranho correram para o convés. Ouvia-se como se fosse uma guerra no convés, os gritos da tripulação ecoavam juntamente com o do avião. Até que o estralar de uma metralhadora calou os gritos.

Por algum motivo o capitão Nemo não expressava medo em sua face.

O estranho perguntou:

– O que faremos? Para ser tão marrudu deve saber algo...

– Cale a boca... pois amenos nem me conheces. Retrucou Nemo.

Nemo abriu um armário onde se escondia um arsenal. Pegando então uma arma de grosso calibre, mandou o estranho esperar ali. Subiu para o convés e novamente soou a metralhadora. Lá em baixo, naquela sala fria ficara o assustado homem da maleta, cansado de tantas duvidas e aflições segurava o choro. Em sua face havia grande tristeza, parecia depressivo, até que ouvira passos. Rapidamente seus olhos buscou a porta. E para sua angustia um homem encapuzado, vestido com uma farda preta e fortemente armado apareceu, o encarou. Num ato de redenção aquele que segurava a maleta abaixou a cabeça esperando o seco som do disparo da arma apontada para sua cabeça; sua angustia era tanta que ele não agüentou, e surgira ema pequena e solitária gota. Uma lagrima escorreu até que ouviu o tiro. No mesmo instante esperou a dor, mas ela não veio, lentamente foi levantando a cabeça, abriu os olhos, e para sua surpresa no lugar da figura fardada estava Nemo, e no chão o cruel.

Ao suposto espião disse Nemo:

– Não se assuste pois todos já se foram. Não temas pois eu estou aqui. Desde o inicio, muito antes de embarcar neste navio já sabia que viria, também sei que tu és.

– Como sabe tanto senhor? Perguntou o homem da maleta.

Quando estava eu em terra firme, fui para casa e no momento em que me vi só tranquei-me no quarto, fechei a janela e busque ao criador de todas as coisas, em quanto o adorava ele falava comigo sobre você.

– Sei que em sua maleta esta aquilo que pode dar aos alemães caminho aberto para matar meu povo, minha família e destruir todo um país. Um povo que tem sede e fome do meu Deus, um povo que entende quem ele é, e que não é nada sem Ele.

– Meu Deus levantou-me como um Moises. Aquele que foi usado para libertar o povo. Mas meu povo foi salvo porque quando soubemos que seriamos mortos, não tememos pois conhecíamos nosso Deus no mais intimo, e ao invés de reclamar ou fugir nos o adoramos. Da mesma forma, você também pode ser salvo, livre, sarado completamente, basta você se entregar a ele.

– Sim, mas como – com voz de choro continuou a perguntar – como faço isso?

Nemo se aproximou a ele e impôs suas mãos sobre sua cabeça e começou a orar. Em quanto orava o homem que segurava a maleta apagou e após voltar havia um choro de alegria em si.

– Agora lembro, sei que sou, sei como me chamo.

Saiu em direção a cozinha, pegou a maleta, e sem abrir a queimou.

A partir desse momento foram em direção a terra de Nemo. Quando chegaram, aquele que era estranho, agora era conhecido como filho por Nemo.

– Até outra senhor. Ou devo dizer... pai.

Disse o rapaz.

No momento exato em que disse isso, a cruel expressão do velho capitão se fora. Agora em seus braços novamente estava seu filho. Aquele que perdera a muito tempo.

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